Ferritina baixa na criança: o que significa e quando tratar

Em resumo: A ferritina mostra quanto ferro a criança tem guardado no corpo, como se fosse uma reserva. Quando ela está baixa, essa reserva está acabando, muitas vezes antes de a criança ter anemia. Isso costuma acontecer quando a criança come poucos alimentos ricos em ferro, toma leite em excesso ou está crescendo rápido. O tratamento é feito com ferro em gotas ou em comprimido, na dose indicada pelo médico, por alguns meses.

Muitas famílias chegam ao consultório com a mesma dúvida: o exame de sangue veio normal, mas a ferritina veio baixa. Isso é um problema?

Na maioria das vezes, merece tratamento, e é bom que tenha sido descoberto agora. A ferritina baixa é um aviso antecipado. Ela mostra que a reserva de ferro está diminuindo antes que a falta de ferro chegue ao sangue e cause anemia. Nessa fase, o tratamento costuma ser mais simples.

O que é a ferritina

O corpo usa o ferro para fabricar o sangue, que leva oxigênio para todo o corpo. Nos primeiros anos de vida, o ferro também é importante para o desenvolvimento do cérebro.

O corpo guarda uma reserva de ferro, e o exame de ferritina mostra o tamanho dessa reserva. Quando a criança recebe menos ferro do que precisa, o corpo vai gastando o que está guardado. Por isso a falta de ferro costuma acontecer em três etapas:

  1. A reserva diminui, e a ferritina cai.
  2. Falta ferro para fabricar o sangue.
  3. O sangue fica mais fraco, e aparece a anemia por falta de ferro.

Quando o exame de sangue está normal e a ferritina está baixa, a criança costuma estar na primeira etapa.

Qual valor é considerado baixo

Cada laboratório mostra no próprio laudo a faixa que considera normal. Como referência, a Organização Mundial da Saúde considera baixa a ferritina abaixo de 12 em crianças de até 5 anos e abaixo de 15 a partir dessa idade. Em 2026, a Academia Americana de Pediatria passou a usar valores mais altos para definir a falta de ferro: 20 ou menos dos 9 meses aos 10 anos e 30 ou menos a partir dos 11 anos. Apesar dessas referências, em alguns casos a criança precisa de uma reserva de ferro maior para garantir a quantidade de ferro de que o corpo precisa. O médico sempre avalia esse número junto com os outros exames e com a história da criança.

Um cuidado importante: quando a criança está gripada ou com alguma infecção, a ferritina pode subir e parecer normal, mesmo com pouco ferro guardado. Por isso o médico às vezes pede outro exame junto ou repete a ferritina depois que a criança melhora.

Por que a ferritina fica baixa

Os motivos frequentes na infância são:

  • Pouco ferro na alimentação, na fase da introdução dos alimentos ou em crianças que comem poucos tipos de comida.
  • Excesso de leite de vaca. O leite tem pouco ferro, atrapalha a absorção do ferro dos outros alimentos e, em grande quantidade, tira o apetite para as refeições. Antes de 1 ano, o leite de vaca não é recomendado.
  • Fases de crescimento rápido, como os dois primeiros anos de vida e a adolescência, quando a criança precisa de mais ferro.
  • Bebês que nasceram antes do tempo ou com pouco peso, porque nascem com uma reserva menor.
  • Perda de sangue, como menstruação intensa nas adolescentes ou pequenos sangramentos no intestino que não aparecem nas fezes.
  • Problemas que atrapalham a absorção do ferro pelo intestino, como a doença celíaca.

Quais são os sintomas

Muitas crianças com ferritina baixa não têm sintoma nenhum, e a alteração aparece em um exame de rotina. Quando há sintomas, os pais costumam notar:

  • cansaço e menos vontade de brincar;
  • irritação;
  • pouco apetite;
  • dificuldade de prestar atenção;
  • pele mais pálida, principalmente quando já existe anemia;
  • vontade de comer gelo, terra ou outras coisas que não são comida.

Como é o tratamento

O tratamento tem dois objetivos: encher de novo a reserva de ferro e resolver a causa.

O ferro é dado pela boca, em gotas, xarope ou comprimido. A dose é calculada pelo peso da criança. Algumas dicas ajudam:

  • dar o ferro longe do leite, do iogurte e do queijo, que atrapalham a absorção;
  • frutas como laranja e acerola ajudam o corpo a absorver o ferro;
  • as fezes podem ficar escuras durante o tratamento, e isso é esperado;
  • nas crianças pequenas, o ferro em gotas pode manchar os dentes, e escovar os dentes depois da dose resolve.

O tratamento costuma durar alguns meses, porque o objetivo é encher a reserva, e não apenas deixar o exame normal. O médico acompanha o resultado com novos exames.

Ao mesmo tempo, a alimentação é ajustada. Carnes, fígado, feijão, lentilha, grão de bico e verduras verde escuras têm ferro. O ferro das carnes é absorvido com mais facilidade que o dos vegetais.

Por que não dar ferro por conta própria

Ferro demais faz mal, e engolir comprimidos de ferro por acidente é uma emergência para a criança. Além disso, nem todo exame alterado é falta de ferro. Existem alterações do sangue que se parecem com a falta de ferro no exame, e nesses casos o ferro não ajuda. Guarde o remédio longe do alcance das crianças.

Quando procurar a hematologista pediátrica

O pediatra trata a maioria dos casos. A consulta com a hematologista pediátrica, a médica que cuida das doenças do sangue na infância, é indicada quando:

  • a ferritina não sobe, mesmo com o tratamento feito do jeito certo;
  • a anemia é forte ou volta depois do tratamento;
  • existe suspeita de que a criança esteja perdendo sangue;
  • o exame mostra alteração em outras partes do sangue, além da anemia;
  • há dúvida se é falta de ferro ou outra alteração do sangue.

Perguntas frequentes

Ferritina baixa com exame de sangue normal precisa de tratamento?

Na maioria das vezes, sim. É a fase inicial da falta de ferro, antes da anemia. O médico decide a dose e o tempo de tratamento conforme a idade e a causa.

Quanto tempo leva para a ferritina subir?

Depende do valor inicial, da dose e de a criança tomar o remédio todos os dias, como foi indicado. O tratamento costuma durar alguns meses, e o médico pede novos exames para acompanhar.

Só a alimentação resolve a ferritina baixa?

A alimentação ajuda a tratar e a prevenir, mas, quando a reserva já está baixa, só a comida costuma não ser suficiente para repor o ferro a tempo. Por isso, na maior parte dos casos, o médico indica o remédio.

Ferritina baixa pode causar queda de cabelo em criança?

A falta de ferro pode estar ligada à queda de cabelo, mas há outras causas possíveis. A consulta esclarece.

É possível fazer a consulta por teleconsulta?

Sim. A Dra. Julie Anne Colnago atende famílias de todo o Brasil por vídeo. Os exames são enviados antes da consulta, e os pedidos de exame e as receitas são enviados de forma digital.

O exame do seu filho mostrou ferritina baixa ou anemia? Agende uma consulta presencial no Morumbi, em São Paulo, ou por teleconsulta.

Sobre a autora. Dra. Julie Anne Colnago é pediatra e hematologista pediátrica, com formação em hematologia pediátrica pela UNIFESP e mais de 20 anos de atuação. Atende no Morumbi, em São Paulo, e por teleconsulta.

CRM/SP 120.429 | RQE 32568 Pediatria | RQE 325681 Hematologia e Hemoterapia Pediátrica

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

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Referências

  • Organização Mundial da Saúde. Diretriz sobre o uso da ferritina para avaliar o estado de ferro em indivíduos e populações, 2020.
  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Consenso sobre anemia ferropriva, Departamentos de Nutrologia e Hematologia, 2018.
  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Recomendações para o tratamento e prevenção da deficiência de ferro e anemia ferropriva em lactentes: atualização 2026. Departamentos Científicos de Nutrologia e de Hematologia e Hemoterapia, 2026.
  • American Academy of Pediatrics. Prevention, Screening, Diagnosis, and Treatment of Iron Deficiency and Iron Deficiency Anemia in Infants, Children, and Adolescents. Pediatrics, 2026.
Dra. Julie Anne Colnago, pediatra e hematologista pediátrica no Morumbi, em São Paulo

A Dra. Julie Anne Colnago é uma Pediatra e Hematologista Pediátrica, com formação em puericultura e nutrição pediátrica. Com mais de 20 anos de experiência, ela se dedica ao diagnóstico e tratamento de doenças do sangue em crianças tanto em seu consultório no Morumbi, em São Paulo, quanto por teleconsulta.

Dra. Julie Anne Colnago | CRM/SP 120.429 | RQE 32568 Pediatria | RQE 325681 Hematologia e Hemoterapia Pediátrica